Photos by Nadja P.
Arte tumular ou Arte funerária é um termo usado para designar obras feitas para permanecerem em cima das sepulturas, nos cemitérios e igrejas.
É uma forma de representação que está ligada à cosmovisão de determinado contexto histórico, ideológico, social e econômico, interpretando a vida e a morte.
Cemitério da Saudade
O Cemitério da Saudade é o maior cemitério municipal de Campinas/SP.
Fundado em 1881, localiza-se próximo à região central da cidade, no bairro Ponte Preta,
abriga 32 mil sepulturas em estilo tradicional que ocupam suas 112 quadras dispostas em
área de 181,5 mil metros quadrados.
O portal de entrada e um dos prédios administrativos foram feitos pelo arquiteto
Ramos de Azevedo em 1913. Até 1925, o lugar era conhecido como Cemitério do Fundão.
É frequentemente utilizado como campo para desenvolvimento de teses universitárias e de estudos do meio (por estudantes do ciclo fundamental de ensino).
Cemitério da Saudade - Campinas/SP
Quer conhecê-lo sem medo, cisma ou quaisquer outros sentimentos que impeçam a visualização da Arte em si?
Vem comigo! Irá surpreender-se com o que verá!
Monumento/Túmulo ao Soldado Constitucionalista, localizado bem na entrada.
Dedicado aos campineiros que perderam a vida na Revolução de 1932.
Abaixo está o lindo poema do saudoso poeta Guilherme de Almeida, dedicado às vítimas.
Minha mãe sempre tinha histórias pra contar a respeito desses jovens soldados, filhos das famílias campineiras.
Que descansem em paz!
Entrada principal do Cemitério da Saudade, localizado em Campinas/SP, projeto de
Ramos de Azevedo.
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Logo nas primeiras quadras pode-se observar uma grande quantidade de jazigos destinados às crianças, filhos das tradicionais famílias campineiras, que perderam a vida durante a epidemia de febre amarela, ocorrida na minha cidade em 1889.
Por pouco a população campineira não foi dizimada.
Outras vítimas, sem dúvida, morreram por doenças das quais não tinham um tratamento avançado como agora.
Materiais para decorar os jazigos
Nessa época o mármore carrara era a pedra preferida para decorar os jazigos e mausoléus.
Depois vieram outros tipos de pedra.
Juntamente com os caquinhos de cerâmica vermelha.
Até que na década de 70 os azulejos vitrificados e decorados eram os preferidos da época.
Jazigo construído no estilo Art Nouveau, propriedade de Francisco Glicério, um dos ilustres de minha cidade.
A flor de maio nascida no tronco da árvore,
à direita, já desponta um botão.
É a vida em comum acordo com a morte.
Desde criança admiro a beleza da imagem
deste anjo!
A trepadeira encontrou um bom lugar, a placa indica que o falecido era músico.
Falando em placa, encontrei uma bem antiga com o nome de minha falecida mãe, grafia que ela fazia questão de repetir: "Jeannette com dois n e dois t".
Notem o envelhecimento natural dos relevos entorno da placa, lindo!
Que maravilha essa textura natural na coluna,
à esquerda!
Obra do tempo...
Maria Jandira, prostituta e suicida no passado, milagreira no presente.
Não importa o que ela tenha sido ou feito.
Quem sou eu para julgá-la?
Só Deus.
Descanse em paz!
A beleza dessa mulher chamou a minha atenção...
Sem dúvida, formavam um belo casal!
O jazigo cinza, à direita, sem placas, sendo que até as iniciais da família foram roubadas, pertence à família do Barão Geraldo de Rezende, importante e rico fazendeiro que residiu em Campinas/SP.
O pequeno túmulo ao lado, coberto por plaquinhas e vasos de flores, pertence ao seu Escravo Toninho.
Em vida ambos foram amigos, mas, antes de morrer,Toninho pediu que fosse sepultado ao lado do seu dono.
Pedido aceito pelo Barão embora muitos tenham resmungado. Só não entendo como o Barão Geraldo de Rezende foi tido como um escravocrata cruel e aceitou ter um escravo sepultado ao seu lado.
O Escravo Toninho como é chamado até hoje, também é um dos milagreiros do cemitério.
O anjo, à direita, precisa de ajuda, acho que está com o nariz entupido...
Amei essa plantinha pendente!
Mas deixei quietinha aí, afinal, os mortos não devem ser profanados em nenhum sentido.
Respeito é bom e eu gosto.
Há imagens que dispensam comentários!
Dentre tantas obras antigas, algumas são modernas.
Esqueci de citar que a maioria das obras esculpidas em bronze, mármore carrara, cobre/latão, contidas no Cemitério da Saudade são autoria de Lélio Collucini, J. Rosadas, Velez, e Albertini.
A criatura com shorts vermelho, que sassarica na alameda atrás da imagem dos anjos, sou eu.
Não é nenhum fantasma, tá bão?
Essas algumas das obras artísticas que captei com a minha máquina, pois o Cemitério da Saudade de Campinas possuí um imenso acervo arquitetônico a céu aberto, daqueles que a gente perde de vista.
Não, não tenho problemas em visitar cemitérios antigos ou modernos, ao contrário, encaro-os como um lugar de paz, sossego.
Uma paz que nem sempre encontro em hospitais, por exemplo, onde o sofrimento humano machuca, dói.
No campo santo, ao contrário, tudo é cessado, porque TODOS voltaram ao pó.
O lamento na morte faz parte do homem terreno, não há o que dizer sobre isso, mas nada como a fé para preencher a ausência.
Viram?
Não é tão tenebroso visitar um cemitério, basta ter olhos de artista.
"Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou
despertá-lo".
Jesus Cristo